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17 de Setembro de 2019

Contrabando de Pedras Preciosas

Lembram de Abi AbiaKel?

Jose Neto, Técnico em Segurança no Trabalho
Publicado por Jose Neto
há 2 anos

O caso do contrabando de pedras preciosas

Um escândalo que envolveu nos anos 80, durante o regime militar, o ex-Ministro da Justiça Ibraim Abi-Ackel no contrabando para os Estados Unidos, mas foi inocentado

O nome do ex-ministro da Justiça, Ibraim Abi Ackel, apareceu quando o norte-americano Mark Lewis foi preso na alfândega dos Estados Unidos, em março de 1983, ao tentar entrar no país. Mark Lewis confessou que as pedras preciosas, no valor de US$10 milhões, tinham conexões em Goiânia com o empresário Antonio Carlos Calvares, dono da empresa Embraime, e amigo de Ibraim Abi-Ackel.

O ministro-chefe do SNI, general Ivan de Souza Mendes, admitiu que se tratava de um “caso político”, além de polícia – a notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo, de março de 1983, foi recuperada pelo acervo do Arquivo Ana Lagoa, especializado em memória dos militares, incluindo o período da ditadura militar. O ex- ministro da Justiça, Ibraim Abi-Ackel foi apontado como um dos envolvidos no contrabando de pedras preciosas pelo advogado norte-americano, Charles Haynes, por causa da amizade do ministro com Calvares.

O goiano e empresário Antonio Carlos Calvares admitiu, na época, que entregou as pedras preciosas ao norte-americano Mark Lewis. O superintendente da Polícia Federal de Goiânia, na ocasião, Francisco de Barros Lima, confirmou que o SNI – Serviço Nacional de Informação (atual ABIN) estava ajudando os agentes federais na apuração do caso.

O ex-secretário de segurança de Goiás, coronel Herberth Curado, disse na mesma reportagem, que Calvares era um “testa de ferro de uma rede de contrabandista e um vigarista de cheque sem fundo”. Em 1985, na presidência de José Sarney - primeiro presidente civil indicado pelos militares, o jornal O Estado de S. Paulo publicou em 21 de agosto, que o SNI estava fora do caso do contrabando das pedras preciosas.

De acordo com a informação de um alto assessor do Palácio do Planalto, segundo a reportagem, não tinha fundamento a informação de que no governo passado o SNI teria apurado a participação do ex-ministro Abi-Ackel no contrabando e alertado o presidente Figueiredo.

Segundo a reportagem, se isto tivesse realmente acontecido, haveria registro nos arquivos do SNI e “nada foi encontrado referente ao contrabando, nem quanto o envolvimento de Abi-Ackel.” Também ficou descartada a hipótese de que os documentos incriminadores teriam desaparecidos, pois “os arquivos foram entregues à nova direção sem baixas em seus papéis,” teria dito o alto assessor do planalto.

Segundo as informações deste assessor, a recomendação do então presidente Sarney ao ministro-chefe do SNI, Ivan Mendes, quanto ao acompanhamento dos atos da administração pública, “para que não existam dúvidas quanto ao acerto na aplicação do dinheiro público e quanto à conduta de todos os integrantes do governo.”

O general Figueiredo, o último presidente militar do país, em entrevista ao site Pampa Livre em 2000, disse que o envolvimento do ex-ministro Abi - Ackel no contrabando de pedras preciosas foi uma maldade da Rede Globo. Na época, conta o general, a polícia federal estava investigando contrabando de drogas em malotes de empresas privadas. A notícia vazou de que a próxima empresa a ser investigada pela polícia federal seria a TV Globo. E que Abi-Ackel, que havia sido ministro da Justiça no período militar, e naquele momento era advogado de uma firma norte-americana que lidava com pedras preciosas. Um advogado norte-americano (Charles Haynes) enviou um documento acusando a firma de Abi - Ackel de contrabando de pedras preciosas e “Roberto Marinho botou logo no ventilador e publicou tudo. Mas a justiça americana julgou o caso e inocentou a firma e prendeu como estelionatário o advogado que deu o documento para o Roberto Marinho.”

Mas o assunto contrabando de pedras preciosas não acaba: em março de 2010, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu R$ 700 mil em pedras preciosas em Jeremoabo (BA). Em 2009, a PF descobriu um contrabando milionário de US$ 350 mil, envolvendo rubis na região de Barra Velha, Norte do Estado de SC. No mesmo ano, a PF descobriu que as reservas indígenas do Mato Grosso e Rondônia, que podem ter a maior mina de diamantes do mundo, são exploradas pelo crime organizado. Apesar da extração de mineral em terras indígenas seja ilegal e depender de regulamentação do Congresso.

Mesmo assim, a Abin e o serviço de inteligência da PF estimam que US$ 20 milhões de diamantes do Roosevelt saem ilegalmente do país todos os meses. Enquanto isso, Abi-Ackel ressurge reconduzido à Câmara Federal, e como relator da CPI do mensalão. Abi-Ackel se viu então novamente envolvido em um novo escândalo: seu filho foi suspeito de ser um dos sacadores de R$ 150 mil das contas do publicitário Marcos Valério.

2 Comentários

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Temos que estar atentos aos filhos dos políticos, pois está havendo uma onda de parentes independente do grau entrando na política e dando continuidade ao vício da corrupção. continuar lendo

Inclusive seu filho é membro da Orcrim do PSDB continuar lendo